14/11/2018

1ª Crise do Bolsonaro


1ª crise de Bolsonaro 1: Planilha de delatores da JBS informa que Onyx, um dos fortes de Bolsonaro, omitiu outra doação pelo caixa dois.

Uma planilha entregue por delatores da JBS à PGR (Procuradoria-Geral da República) sugere que o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), recebeu, via caixa dois, uma segunda doação eleitoral de R$ 100 mil que, até agora, ele não havia admitido e pela qual não pediu desculpas. Jair Bolsonaro, presidente eleito, terá de lidar com sua primeira crise, que atinge o coração do discurso que o levou ao poder. E não só ele. Também é preciso chamar Sérgio Moro à conversa.

1ª crise de Bolsonaro 2: Em entrevista, Moro, punidor-geral da República, elogiou Onyx por admitir um “erro”. Delatores apontam outro…

O quase ex-juiz e futuro superministro da Justiça, Sérgio Moro, é considerado, assim, uma espécie de punidor-geral da República, função que não existe oficialmente, mas que está em muitas mentes por aí. A ele se atribuem até futuros poderes mágicos: extinguir a corrupção e o crime comum. Em entrevista, ele já mostrou também seu lado de, como vou chamar?, de perdoador-geral da República.

Indagado em entrevista sobre a situação de Onyx, homem-forte de Jair Bolsonaro na política e futuro chefe da Casa Civil, que admitiu ter recebido R$ 100 mil em 2014, via caixa dois, da JBS, o notável e notório juiz demonstrou que pode ter um coração de manteiga. Moro respondeu o seguinte:

“Eu, na verdade, tenho uma grande admiração pelo deputado Onyx Lorenzoni. Eu acompanhei o trabalho dele durante a discussão do projeto das Dez Medidas (contra a corrupção), e eu posso dizer que ele foi um dos poucos deputados naquele momento (…) que defendeu (sic) a aprovação daquele projeto das Dez Medidas, mesmo sofrendo ataques severos da parte dos seus colegas. Quando aquele projeto foi completamente desfigurado, ele era uma figura até desalentada pelo tanto que ele lutou pela aprovação daquele projeto naquele momento. Quanto a esse episódio no passado, ele mesmo admitiu seus erros e pediu desculpas e tomou providências para repará-lo”.

Em entrevista ao “Fantástico” no domingo, Moro afirmou que, como ministro da Justiça, certamente ajudará seu chefe, Jair Bolsonaro, a combater a corrupção no seio do próprio governo. E colocou na mesa a sua biografia e a sua reputação. Não coonestaria com o malfeito. Pois e…

Aqueles R$ 100 mil recebidos por intermédio do caixa dois dizem respeito à campanha de 2014. Acontece que o documento que agora vem à luz diz respeito a 2012. O pagamento a “Onyx-DEM” foi feito em 30 de agosto daquele ano, em meio às eleições municipais. Segundo os colaboradores, o dinheiro foi repassado em espécie. É o que informa reportagem da Folha desta quarta. E agora?

1ª crise de Bolsonaro 3: Capitão reformado se elegeu na terra arrasada da Lava Jato: com a palavra, o presidente eleito, juiz Moro e Onyx.

Bolsonaro só é presidente da República porque a Lava Jato — de que Moro, o perdoador seletivo, foi a grande estrela — promoveu uma razia nos grandes partidos e nas principais lideranças políticas do país. Para Moro, há dois tipos de corrupção: aquela em que o agente público enriquece e aquela que promove o “financiamento fraudulento de eleições”. Na sua visão, esse segundo tipo “é até pior do que no primeiro caso porque afeta o jogo político-democrático”. Trata-se de um raciocínio torto, que despreza fatos e nuances, mas não vou entrar nele agora. O fato é que os pecados de Onyx são desse segundo tipo.

O ainda presidente eleito só botará a faixa no peito no dia 1º de janeiro do ano que vem porque elevou o discurso contra a corrupção à sua potência máxima. Os delatores da JBS relataram esquemas de caixa dois de 2006 a 2014. Quando apontaram as duas doações irregulares a Onyx — uma para a sua campanha pessoal (2014) e outra para as eleições municipais, não sabiam que ele se tornaria um dos braços do futuro presidente da República.

Segundo a Folha, “as informações sobre a doação em 2012 (…) constam de anexos complementares entregues por Joesley Batista, dono da J&F, Ricardo Saud e Demilton Castro, responsável por pagamentos ilegais. A planilha ‘Doações-2012’, com os registros de caixa dois, foi entregue para corroborar as acusações. Joesley disse que todas as contribuições não declaradas foram feitas a pedido dos políticos. Os objetivos, explicou, eram evitar retaliações e contar com a boa vontade deles.”

Onyx, Bolsonaro e Moro estão numa situação bastante delicada, não? A menos que se admita que Joesley e demais delatores resolveram, sei lá, contar uma mentira em meio a uma enxurrada de verdades.

Nesse caso, cabe a pergunta: por que o fariam? Com a palavra, Onyx, Moro e, claro, Bolsonaro.

Por: Reinaldo Azevedo

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